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Album Preview

Bio

A banda paulistana Cérbero foi formada em 1980 pelos irmãos e guitarristas Marco Tonalezzi e Carlo Tonalezzi, com Sérgio Gonçalves no vocal e baixo e Alceu Scaravelli na bateria. No ano seguinte, ocorre a entrada do baterista Tony Fontão. Com o line-up sólido os músicos partiram firme para os ensaios e shows, sempre com o objetivo tocar o Metal mais rápido e pesado possível. Os shows no Rainbow Bar, Teatro Lira Paulistana, Espaço Carbono 14, Fofinho Rock Club, Clube Aeroviários, Clube Vila Mariana eram sempre muito concorridos e com excelente resposta do público, o que certamente lhes rendeu o convite para integrar o projeto “SP Metal” de Luiz Calanca, disco o qual se tornou um marco na historia do Metal Brasileiro. Entretanto, o Cérbero já havia vendido todo seu equipamento e estava a caminho de New York City e, devido a isso, não pode participar do projeto e foi substituído na coletânea pela banda Korzus. Os músicos se mudaram definitivamente para Nova York (EUA) em Março de 1985. O baixista e vocalista Sérgio, entretanto, teve seu visto de entrada negado e a banda não conseguiu encontrar um substituto à altura, complicando assim o sonho de estourar no mercado externo. Todos os membros da banda passaram por varias bandas e projetos separados durante sua estadia  em NY, mas mesmo com o passar décadas, os músicos ainda tocam juntos e estão trabalhando em um álbum com musicas inéditas previsto para ser lançado em 2016.

Conheça mais sobre a história do Cérbero nas palavras dos irmãos Marco e Carlo Tonalezzi.

Roadie Crew: Quando e onde a banda foi formada?
Marco Tonalezzi: O Cérbero foi formado em meados de 1980 no dia em que compramos nossas primeiras guitarras elétricas na casa Tomasi em São Paulo, Capital. Sérgio Gonçalves, que era um amigo nosso de infância e morava na mesma rua, comprou um baixo.
Carlo Tonalezzi: Após mais ou menos um ano ensaiando e escrevendo recrutamos Tony Fontão, que também morava somente a uns quarteirões de distância e era meu amigo de escola.

Roadie Crew: Expliquem o porquê do nome adotado. Como foram as primeiras reações das pessoas ao nome e ao som?
Marco: Queríamos um nome que capturasse a energia e agressividade da banda. A reação das pessoas foi excelente apesar de algumas confusões com a palavra “Cérebro”.
Carlo: A reação ao som foi incrível, os shows estavam sempre super lotados, o apoio do público foi muito forte desde o começo.

Roadie Crew: Como foram os primeiros ensaios? Quais foram as primeiras composições e quem eram os responsáveis pela criação?
Marco: Para a alegria de nossos vizinhos, ensaiamos com a banda todos sábados e domingos o dia inteiro por quase dois anos antes do primeiro show. As músicas sempre começavam com riffs do Carlo ou meus e eram completadas por ele ou por mim, mas obviamente havia uma participação muito grande de todos na banda.
Carlo: O Cérbero foi energético desde o primeiro ensaio, já sabíamos a direção que queríamos tomar. Éramos amigos desde infância e curtíamos música no porão de nossa casa que se tornou nosso lugar de ensaio. As primeiras composições foram Napalm e Terra.

Roadie Crew: Quais eram as influências musicais do Cérbero? Vocês tocavam quais covers?
Marco: Minha memória mais vívida de um ponto inicial aconteceu em 1970 quando com sete anos de idade, escutei Whole Lotta Love (Led Zeppelin) pela primeira vez. Não sei explicar exatamente o porque mas me senti completamente identificado com o som. Durante os Setenta passei a conhecer e colecionar discos de todas a bandas clássicas, como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath etc. Um pouco depois apareceram as bandas “novas” como Aerosmith, Ted Nugent, Rainbow, Scorpions, Judas Priest, Motörhead, Iron Maiden etc. No final dos anos 70, tudo que queria era ter uma guitarra e tocar o som mais rápido e pesado possível. Quanto a guitarristas, meu favorito é, sem dúvida, Uli Jon Roth, desde que comprei o Fly To The Rainbow do Scorpions que, miraculosamente, havia sido lançado no Brasil em 1976.
Carlo: Sempre acompanhei o Rock, desde os cinco anos de idade. Comecei a gostar de Jimmy Page e Ritchie Blackmore, depois passei a gostar de Uli Jon Roth e Michael Schenker e, mais tarde, Eddie Van Halen e Randy Rhoads. Bandas foram Judas Priest, Scorpions, Motörhead, Ozzy Osbourne e Iron Maiden. Sérgio e Tony também tinham praticamente a mesmas influências e tocávamos alguns covers como, Panic (Anthrax), Metal Militia (Metallica), Read All About It (Raven), March Of The Crabs (Anvil), Transilvannia (Iron Maiden), Army Of Immortals (Manowar) e Ace Of Spades (Motörhead).

Roadie Crew: Quando e onde foi o primeiro show? Como foi a resposta do público?
Marco: Nosso primeiro show com a banda foi no final de 1982 na Fofinho Rock Club. A idéia do clube era de ter uma banda tocando no bar enquanto o segundo andar continuava como uma “danceteria de Rock”.
Carlo: Como sempre, o segundo andar estava completamente lotado, mas que aconteceu foi que a maioria do público convergeu para o bar assim que começamos a tocar e o segundo andar ficou praticamente vazio. Foi naquele momento que tivemos a certeza de que estavamos no caminho certo.

Roadie Crew: Falem sobre a criação do logotipo e da postura visual da banda.
Marco: Desenhei o logo a mão pois realmente queria que fosse original. Imaginei um “Super Doberman” com três cabeças para representar o som rápido e agressivo da banda. Tentei capturar o efeito de que o Cérbero fizesse sentido mesmo que o foco visual fosse em cabeças individuais. A postura visual da banda era simples…jeans, couro e adrenalina.
Carlo: O Marco sempre teve facilidade de desenhar, e torturamos ele para finalizar o logo antes do primeiro show que seria em breve, e isso significava ter que desenhar e pintar a mão um enorme pano de fundo para os shows da banda, o qual ainda possuímos. Realmente nossa postura visual era bem agressiva.

Roadie Crew: Quais as outras bandas nacionais daquela época vocês destacariam?
Marco: Centúrias, Vírus, Harppia, Kaos e Santuário. Das bandas mais “novas”, a nossa favorita era o Korzus.
Carlo: Conhecíamos o Dick e o Silvio dos nossos shows desde antes de formarem o Korzus e sabíamos que eles tinham um potencial muito grande. Ficamos contentes por ainda estarem na ativa com força total.

Roadie Crew: Como era a união das bandas da cena do Metal naquela época?
Marco: Excelente. Havia ao mesmo tempo uma competição saudável e uma união e cooperação sensacionais, pois sabíamos que tínhamos que trabalhar juntos para o benefício do Heavy Metal. Frequentemente comparecemos a reuniões com várias bandas e promotores com o objetivo de organizar eventos e promover o Metal.
Carlo: Prova dessa união é o fato de que mesmo depois de vinte anos e de estarmos em Nova York todo este tempo, ainda somos amigos de todos que tivemos a oportunidade de rever ou nos comunicar. É como se fossemos da mesma família. É difícil de explicar.

Roadie Crew: Como se deu o convite para integrar o “SP Metal”? Por que vocês acabaram desistindo de participar?
Marco: Costumávamos a frequentar a “Galeria do Rock” desde a época em que se encontravam apenas uma meia dúzia de lojas de discos. Naturalmente conhecíamos Luiz Calanca dono da Baratos Afins, pois estávamos sempre na loja dele. Claro que ficamos contentes quando ele nos convidou.
Carlo: O problema foi que na época em que pintou o convite, os planos já estavam em andamento e já havíamos vendido praticamente toda nossa aparelhagem e estávamos de viagem marcada. Se me lembro bem, as gravações iriam começar por volta da nossa partida para Nova York.

Roadie Crew: Por que vocês decidiram se mudar para os EUA? Como foi a adaptação de vocês por lá?
Marco: Mesmo com a presença de um movimento underground na direção de um metal mais rápido e agressivo, não parecia haver na época nenhuma possibilidade de conseguirmos um contrato que nos posicionaria no mercado internacional e considerávamos isso vital para a sobrevivência do Cérbero. É claro que agora sabemos que foi quase na mesma época que a situação do Metal no Brasil estava começando a mudar. Mas na época as coisas não se mostravam tão claramente. É sempre mais fácil “prever” o passado do que o futuro.
Carlo: Após termos ido ao primeiro “Rock In Rio” em 1985, a amplitude do evento e o calibre das bandas nos impressionaram muito. Parecia que uma nave “extraterrestre” havia aterrisado no Rio de Janeiro. A vontade de tentar no exterior foi irresistível. A adaptação foi um sucesso. Começamos a trabalhar nas lojas de música na rua 48 em NY, fizemos amigos que temos até hoje e por pura sorte acabamos morando a cinco quarteirões do Lamour East, que era um clube de Rock/Metal excelente e assistimos shows de todo mundo, Motörhead, Anthrax, Manowar, Raven etc. Sem contar os shows no Madison Square Garden, Metallica, Dio, Judas Priest etc.

Roadie Crew: Como vocês se sentem sendo músicos que participaram da criação da cena do Metal nacional?
Marco: Sentimos um orgulho imenso. Realmente curtimos muito aquela época e gostaríamos de aproveitar a oportunidade para agradecer a todos que nos apoiaram e que ainda hoje mantém o espírito metal. Nas palavras sabias do Glenn Hughes…”Vocês são a música, nós somos somente a banda”.
Carlo: Tudo que fizemos foi por amor a música. Sentimos muito orgulho de ter sido parte deste movimento musical que nos inspirou tanto e praticamente mudou o rumo de nossas vidas.

Roadie Crew: De todas as bandas participantes das duas edições do “SP Metal” somente o Korzus e o Salário Mínimo ainda estão na ativa. Por que o Cérbero não conseguiu se manter ativo nos EUA? Pensaram em voltar para o Brasil? Por que a banda se separou? O que ocorreu?
Marco: A mudança para NY ocorreu quase sem problemas. Por meados de Setembro de 1985, estávamos ensaiando em nosso próprio estúdio e com a aparelhagem que sempre sonhamos. O único problema foi que Sérgio, nosso baixista, vocalista e “irmão de sangue”, não conseguiu a autorização do Consulado Americano no Brasil para entrar nos Estados Unidos. Eles o acharam “jovem demais e sem muitos vínculos importantes no Brasil que o motivariam a voltar ao Brasil”, ou seja…eles desconfiaram, com razão, que o Sérgio iria ficar em NY mais do que os seis meses que eles poderiam ter autorizado. Eles também disseram que como a autorização havia sido negada, que ele deveria esperar doze meses para tentar novamente.
Carlo: Claro que isso foi um obstáculo enorme, mas devido ao fato que tínhamos muito trabalho para fazer, decidimos começar a compor e ensaiar enquanto esperávamos por Sérgio para tentar de novo e se reunir conosco em NY. O ano passou e Sérgio foi finalmente capaz de tentar de novo, mas o visto foi negado de novo. Desta vez disseram que ele deveria esperar três anos para poder tentar novamente. Infelizmente tivemos que encarar o fato que o Cérbero não iria ter nem a chance de tentar no Estados Unidos. Tentamos até encontrar alguém para preencher a vaga por três anos, mas isso se tornou uma missão impossível. A mágica que acontecia quando tocávamos juntos se revelou muito difícil de se reproduzir se um de nós estivesse faltando.

Roadie Crew: Por onde andam e o que fazem os músicos atualmente?
Marco: Nosso amor por “Metal and Guitars” nunca vai morrer. Na verdade se tornou ainda mais forte. Continuo tocando e também estou fazendo masterização de áudio para bandas em NY. Eu e o Carlo estamos trabalhando em músicas novas, pois adoramos tocar juntos e realmente ainda curtimos muito abrir o gás nos nossos Marshalls. Essa sensação nunca vai morrer.
Carlo: Recentemente decidimos reformar o Cérbero e já escrevemos varias músicas para um novo CD, ainda fiéis ao estilo Cérbero, rápido e com peso, as músicas novas contam com as experiências musicais adquiridas nesses mais de 20 anos de Estados Unidos.

Roadie Crew: O que podem falar a respeito do álbum “Pirata Oficial” do Cérbero, gravado um dos shows que fizeram no Rainbow Bar em 1983?
Marco: Do ponto de vista da banda, o show do Rainbow foi perfeito. A moçada compareceu em massa. O bar estava completamente lotado e com praticamente o mesmo número de pessoas do lado de fora tentando entrar. A banda estava bem ensaiada, havia muita eletricidade no ar.
Carlo: Quando começamos a tocar a moçada explodiu. Foi uma noite sensacional. Como Cérbero nunca gravou em um estúdio profissional, em 2005 resolvemos lançar o CD deste show para marcar os 20 anos do nosso último show no Brasil.

Roadie Crew: Deixem uma mensagem final para a nova geração, que não teve contato direto com a época do “SP Metal”.
Marco: Apesar de não podermos voltar no tempo, o espírito daquela época ainda está a solta. A única maneira de capturá-lo é com muita honestidade musical, dedicação e paixão. Toque o máximo que puder e ensaie até ficar fácil. Quem é de verdade não precisa fingir que é. Nada é mais importante do que a música.
Carlo: Toda jornada se inicia com um primeiro passo e o “SP Metal” foi um passo importantíssimo para essa jornada Metal do Brasil. Esperamos que esse movimento continue forte e que um dia o Cérbero tenha a oportunidade de tocar no Brasil novamente.

RAIO-X
Banda: Cérbero
Nome completo: Marco Tonalezzi
Local de nascimento: São Paulo, Capital
Função: Guitarrista
Como aprendeu a tocar: Tocando e escutando.
Quando começou a gostar de Heavy: A primeira vez que ouvi “Whole Lotta Love” in 1970.
Primeiro show de Rock que assistiu: Nacional/Patrulha do Espaço (1978), Internacional/ Queen (Morumbi, 1981)
Primeiro disco e camiseta de Rock que comprou: Disco: “Sabotage” (Black Sabbath), Camiseta: Pintei as minhas próprias, a primeira foi a capa do “Overkill” (Motorhead).
Bandas em que tocou: Cérbero, Matrix
Lugar onde mora atualmente: Nova York (EUA)
Melhor banda de todos os tempos: Led Zeppelin

RAIO-X
Banda: Cérbero
Nome completo: Carlo Tonalezzi
Local de nascimento: São Paulo (SP)
Função: Guitarrista
Como aprendeu a tocar: Escutando Rock pesado
Quando começou a gostar de Heavy: Meu pai já gostava de rock e tocou “Whole Lotta Love” em 1970. O sonho começou aí.
Primeiro show de Rock que assistiu: Nacional/Patrulha do Espaço (1978), Internacional/ Queen (Morumbi, 1981)
Primeiro disco e camiseta de Rock que comprou: Disco: “In Rock” (Deep Purple), Camiseta: “Stained Class” (Judas Priest)
Bandas em que tocou: Cérbero, Bad Apple, Shadow Puppet.
Lugar onde mora atualmente: New York
Melhor banda de todos os tempos: Essa é uma pergunta muito difícil. Gosto muito do Rainbow com Blackmore, Dio e Cozy Powell. Também gosto muito da formação do Judas Priest no “Stained Class” e “Hell Bent for Leather”. Mas a melhor de “todos os tempos” seria Led Zeppelin, também por continuarem com mesma formação até o final.

por Ricardo Batalha ( www.roadiecrew.com )

Mídia

Luiz Calanca fala sobre SP Metal & Cérbero

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Talking Metal c/ Mark Strigl

Comando Metal Radio c/ Walcir Chalas

Cérbero no Filme/Documentário BHM

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